domingo, 4 de setembro de 2011

Consciência...Desafio para todos!


No mesmo ano em que a Política Nacional de Resíduos Sólidas (PNRS) foi sancionada, 2010, foram recolhidas cerca de 8 milhões de pilhas e baterias no Brasil e recicladas cerca de 8 mil.  A informação foi prestada pela gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Zilda Veloso, nesta quinta-feira (25/8) na Comissão de Assuntos Sociais, do Senado.



A logística reversa - ou seja, a obrigatoriedade de recolhimento de embalagens ou dos próprios produtos fabricados depois de usados pelo consumidor - está prevista não apenas na PNRS, mas também no Decreto 7404/10 e na Resolução 401/08 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, disse a gerente.
Pilhas e baterias estão entre os produtos citados no artigo 33 da PNRS. Também estão explícitos pela legislação os pneus, as lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, resíduos e embalagens de agrotóxicos e de óleos lubrificantes, embalagens em geral e os produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

"Já temos no País 1.800 pontos de recolhimento de pilhas e baterias. Falta ainda que os consumidores se habituem a entregá-las", comentou Zilda Veloso. Ela afirmou que esses produtos contêm metais pesados prejudiciais ao meio ambiente. "Principalmente as pilhas comuns e especialmente aquelas compradas no comércio irregular", advertiu.

A gerente de Resíduos Perigosos ressaltou que o Programa de Consumo Sustentável, do MMA, assim como a PNRS, estão promovendo mudanças no padrão de consumo dos brasileiros, e que o ministério está em campanha educativa para que a população passe a selecionar o lixo doméstico para encaminhá-lo a reciclagem. 

sábado, 27 de agosto de 2011

Mais uma Consequência da Sabedoria Americana!

Cinquenta anos depois do uso de armas químicas na Guerra do Vietnã (1959-1975), Conselho Mundial da Paz (CMP) lança campanha que pede condenação dos Estados Unidos e empresas fabricantes do Agente Laranja, que destruiu florestas e vitimou milhões de pessoas. Entidades locais estimam que pelo menos três milhões de vietnamitas vivam com seqüelas. 

Representantes de entidades de 24 países estiveram reunidos entre 7 e 10 de agosto durante a 2ª Conferência Internacional das Vítimas do Agente Laranja, em Hanoi, capital vietnamita. Ao final, uma carta compromisso foi assinada por todos presentes, onde ficou definida a criação de uma campanha internacional para pedir assinaturas para condenação do governo estadunidense pelo uso indiscriminado de um herbicida altamente tóxico: o Agente Laranja.
Fonte: Google imagens.

O agrotóxico, que ganhou o nome por causa da embalagem que tinha uma faixa laranja envolta, contém dioxina, substância cancerígena, uma das mais perigosas. Segundo documentos publicados pela Associação de Vítimas do Vietnã do Agente Laranja (Vava, na sigla em vietnamita), a exposição da população ao produto tem causado diversas doenças graves como câncer de pele, pulmão, além de incapacidade mental, deformidades no organismo e abortos. Na época, 26 mil aldeias foram pulverizadas com 83 milhões de litros de produtos químicos lançados por aviões pertencentes ao Exército dos EUA. Atualmente, pelo menos 3 milhões de pessoas possuem alguma doença ou deformidade.

“Já chega a 4 milhões o número de vítimas. Todos vivendo graças a ajuda de entidades regionais e ao governo do Vietnã. Pouquíssimas recebem ajuda do governo norte-americano, e o valor é muito abaixo do necessário, segundo médicos que tratam os doentes”, afirma a presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), a brasileira Socorro Gomes, que está à frente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), e participou da conferência.


Durante o evento, também ficou definido que será criado um comitê internacional formado por entidades de diversos países para cuidar da campanha. “Queremos acionar a ONU (Organização das Nações Unidas) para que considere o fato como crime contra a humanidade. Além disso, também pode pressionar o Estados Unidos sobre sua responsabilidade”, ressalta Socorro Gomes.

Do ponto de vista ambiental, pelo menos 25% das florestas do país foram atingidas, devastando mangues, colheitas, chegando a contaminar o solo e lençóis freáticos (d’água) – uma área de cerca de 3 milhões de hectares. Em 2009, uma empresa canadense detectou níveis da substância 300 a 400 vezes acima do limite reconhecido internacionalmente como tolerável.

Quem são os responsáveis?

Os Estados Unidos (EUA) tomaram a decisão de lançar o herbicida sobre as florestas, plantações e colheitas. A Casa Branca nega responsabilidade no caso e atribui possíveis malefícios aos fabricantes do produto. Na ocasião, os EUA usaram a Lei de Produção de Defesa para emitir contratos para obtenção do Agente Laranja e outros herbicidas para uso dos EUA e das tropas aliadas no Vietnã.

Mas, a campanha também pede a responsabilização de sete fabricantes do produto na ocasião: Diamond Shamrock Corporation, Dow Chemical Company, Hercules, Inc., T-H Agricultural & Nutrition Company, Thompson Chemicals Corporation, Uniroyal Inc. e Monsanto Company.

Diversas ações foram movidas por conta da reação do Agente Laranja em seres humanos, mas somente uma teve decisão favorável, em 1984, que beneficiou somente os veteranos americanos que estiveram na guerra. Nela, houve um acordo que estabeleceu indenização de US$ 180 milhões, no total, sem responsabilizar o governo estadunidense ou qualquer uma das empresas.

As empresas, por sua vez, se apoiam na decisão do Supremo Tribunal dos EUA, sancionada em março de 2009, de que as mesmas não eram responsáveis pelas implicações do uso militar do Agente Laranja, uma vez que eram prestadores de serviço do governo e somente seguiam instruções. Naquele ano, o Tribunal de Apelações julgou improcedentes os pedidos de indenizações, sob a alegação de que o Agente Laranja não foi usado como arma de guerra contra a população, mas para proteger as tropas. A Corte Suprema indeferiu recurso das vítimas sem fazer qualquer comentário.

Em sua página na Internet, a Monsanto lembra que o agrotóxico foi um dos 15 utilizados com finalidade militar. “O governo americano especificou como deveria ser a composição química do Agente Laranja e quando e onde o material deveria ser usado no campo, incluindo as taxas de aplicação”, justifica a empresa.

Dioxina

A dioxina é um subproduto resultante de uma combinação de duas substâncias: 2,4-D e 2,4,5-T. O professor Guilherme Marson, do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), lembra que ela é obtida no processo de produção de herbicida. Mas que nenhuma empresa produz a dioxina de maneira desejada. “O Agente Laranja é um desfolhante usado na década de 1960, mas já está ultrapassado. Atualmente, há novos herbicidas criados com uma preocupação ambiental”, diz Marson. O especialista ressalta, no entanto, que o uso político e militar de determinados herbicidas é uma escolha de quem vai usá-lo: “Nós (químicos) criamos ferramentas para auxiliar. Infelizmente, há agentes que se apropriam desse conhecimento como arma”, conclui Marson.

Neste ano, o governo dos EUA anunciou um plano para extrair, a partir de janeiro de 2012, a dioxina onde funcionava a base estadunidense em Da Nang, região central do Vietnã, onde o veneno era armazenado. Depois, pretende estender a ação para outras áreas de antigas bases americanas, onde a substância era misturada, estocada e carregada nos aviões – Bien Hoa e Phu Cat, sul do país.

“É possível extrair a dioxina do solo, usando técnicas de injetar água oxigenada, entre outras. Mas o custo ainda é muito elevado. Dificilmente algum país ou empresa fará algo em larga escala”, explica o professor Cassius Vinicius Stevani, também do Instituto de Química da USP.

O projeto deve custar mais de R$ 50 milhões e vai remover a dioxina em somente 29 hectares de terra.

Amazônia

Apesar de ser uma substância superada, no final de junho deste ano o Ibama (Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apreendeu quatro toneladas de produtos químicos, classificados como herbicidas altamente tóxicos, na rodovia AM – 174, km 160, que liga Apuí à Novo Aripuanã, no estado do Amazonas. Entre eles a substância 2,4 – D, um dos componentes do Agente Laranja. Segundo o órgão ambiental, o material estava armazenado de maneira inadequada, no meio da mata, e seria utilizado como desfolhante para destruição cerca de três mil hectares de floresta. 

Guerra

Após os primeiros anos da Guerra do Vietnã, os Estados Unidos estavam desnorteados no combate com os vietnamitas em função da utilização por seus oponentes da tática de guerrilhas em selvas, através das quais pequenos contingentes de soldados vietcongues, com grande conhecimento das florestas, conseguiam iludir e vencer batalhões inteiros, gerando grandes perdas, apesar de estarem numericamente inferiorizados e materialmente muito abaixo dos recrutas americanos. O uso do agente laranja tinha como principal objetivo eliminar as áreas de florestas, onde se escondiam os vietcongues, além de destruir plantações e colheitas para enfraquecer o inimigo.

“Tendo em vista estas derrotas que se acumulavam, os comandantes americanos, com autorização de seus líderes governamentais da época, resolveram literalmente tirar 'o rato da toca' com o uso do Agente Laranja, incorrendo num indiscutível crime de guerra”, contextualiza o historiador João Luís de Almeida Machado, especialista em Educação, Arte e História da Cultura.

Almeida Machado lembra das consequências desastrosas do uso do herbicida, desconsiderando tratados universais, que preconizam o lançamento de produtos químicos na natureza ou sobre populações como ato indigno e reprovável, como a carta de Estocolmo, em 1950, que condenava o uso de armas nucleares. “Ainda não há nenhum documento que afirme que é crime o uso de armas químicas. O uso do Agente Laranja no Vietnã foi um verdadeiro crime contra a humanidade. Lutamos para que seja tratado como tal”, afirma Socorro Gomes. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Apenas 106 dias!!


Quem vive na região metropolitana de São Paulo respirou durante 259 dias do ano passado um ar impróprio para a saúde humana. O grande responsável por esse quadro negativo, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem, é o ozônio, um gás tóxico que pode se formar a partir de substâncias emitidas pela queima de combustíveis fósseis nos carros, caminhões, ônibus etambém por atividades industriais.

Em apenas 106 dias, segundo a Cetesb, a agência ambiental paulista, o ar paulistano foi classificado como bom. O governo considera a situação problemática quando a classificação do ar fica "inadequada" ou "má".

Impacto

A categoria "regular" fica fora da soma. A Cetesb diz que não há impacto significativo na saúde das pessoas. Mas técnicos dizem que esse nível afeta a população.
"O relatório da OMS - Organização Mundial da Saúde, com os novos índices de qualidade do ar diz que, mesmo abaixo dos padrões, alguns efeitos na saúde são observados", diz Nelson Gouveia, médico especialista em poluição da USP (Universidade de São Paulo).


Asma

Geralmente, problemas respiratórios são intensificados nessa situação. Problemas como crises de asma e bronquite acabam se agravando. Esses padrões internacionais, avalia Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade, são ainda mais rigorosos do que os usados pela Cetesb.
No caso específico do poluente ozônio, a OMS é 40% mais rigorosa.

domingo, 17 de julho de 2011

Falta Visão Sistêmica!!

O vídeo abaixo mostra uma parte do debate ocorrido ano passado entre os candidatos a Presidente da República, onde a atual Presidente Dilma expõe os cuidados que terá com o meio ambiente em seu governo.

Claro que era pouco tempo para explanações, porém a questão do meio ambiente ficou centralizada apenas na Amazônia. Ora, meio ambiente tem que ser analisado de forma geral, sistemicamente, se não é impossível conquistar o tão almejado Desenvolvimento Sustentável.

Faltou falar das águas, fontes de energia renovável, geração de resíduos, saneamento básico, educação ambiental, recuperação de áreas degradadas, e de um ponto muito importante para que tudo isso tenha qualidade, inclusive a questão amazônica, a FISCALIZAÇÃO, que em nosso país é tão branda.

Mas analisando somente aquilo que foi dito... “em diminuir a emissão de GEE – Gases de Efeito Estufa”, cabe a nós cidadãos brasileiros cobrarmos resultados positivos e esperar que os objetivos sejam atingidos. 


sábado, 9 de julho de 2011

Vai Faltar Comida?


A Vida está melhorando para o cearense Joaquim Pereira Neto, de 38 anos. “A primeira vez que comi um churrasco foi na final da Copa de 1994, na casa de um amigo”, diz. “Tinha 21 anos. Foi inesquecível.” Um ano antes, Joaquim deixara os sete irmãos e o pai em Ipueiras, no sertão do Ceará. Com a chegada no Rio de Janeiro, ficaram para trás os tempos de arroz e feijão no almoço e no jantar e carne de bode no domingo. Joaquim é porteiro de um prédio em Copacabana, bairro de classe média da cidade. Hoje, come carne todo dia. “Frango, peixe. Gosto de tudo. Mas prefiro mesmo é carne vermelha.” Joaquim não sente falta de salada. De vez em quando come cenoura, tomate, alface e beterraba. Ele é casado e tem um filho de 5 anos. “A geladeira está sempre cheia de iogurte e frutas. O menino adora leite. Sempre tenho maçã, pera e manga lá em casa”, diz, com orgulho.
 
Os fazendeiros do planeta têm até 2043 – são só 32 anos – para elevar a produção de grãos em 60%

As conquistas de Joaquim são partilhadas por milhões de pessoas que nos últimos anos realizaram alguns sonhos de consumo. Em apenas uma década, segundo o Banco Mundial, 50 milhões de pessoas saíram da linha da miséria no Brasil. Com outros 200 milhões na Índia e 400 milhões na China. Essa multidão que vem conseguindo condições melhores de vida começa transformando sua dieta. Faz uma transição do menu exclusivamente vegetariano, com arroz e grãos como feijão, para ingredientes mais suculentos como frango e bife. Esse avanço é uma das maiores conquistas recentes da humanidade.

Mas essa dieta à base de carne consome mais recursos de um planeta cada vez mais esgotado. Por uma razão simples. Um hectare de terra produz 2,5 toneladas de grãos. A mesma área só produz 46 quilos de carne nas pastagens brasileiras. À medida que a população passa a comer mais carne, um grupo crescente de analistas começa a se preocupar se há área disponível para produzir o que todos desejam consumir.

Um dos primeiros sintomas do descompasso entre produção e demanda é a crise vivida hoje pela indústria mundial de alimentos. No início deste ano, o preço global da comida bateu recordes históricos. Protestos eclodiram pelo mundo. No Oriente Médio, o preço do pão foi o estopim para as revoltas populares que, desde 2010, derrubaram os regimes da Tunísia e do Egito, levaram a Líbia à guerra civil e são reprimidas na Síria e no Iêmen. Em 2009, o grupo dos países mais ricos (G8) atribuiu ao preço dos alimentos a mesma importância que à crise das hipotecas para a economia global. Neste ano, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, líder do grupo dos 20 principais países (G20), quer colocar a comida no topo da agenda. Segundo alguns, a era da comida barata acabou. E o problema deve piorar à medida que a população humana caminha para os s 9 bilhões, previstos para 2043, segundo a ONU. Mantendo os padrões atuais de consumo e as previsões para os próximos anos, os fazendeiros terão de elevar em 60% a produção de grãos, dos atuais 2,5 bilhões para 4 bilhões de toneladas. 

É um salto monumental. Equivale a dez vezes a produção do Brasil, o quarto maior produtor de grãos, que colherá em 2011 uma safra recorde de 153 milhões de toneladas. Como fazê-lo?
   
Os limites do planeta
Para alimentar 9 bilhões, o obstáculo é a falta de água e terra. São recursos escassos – sem substitutos




Um dos limitadores é a quantidade de terra. Descontados os desertos, as altas montanhas e as calotas polares, a humanidade se apropriou de dois terços das terras aráveis do planeta. O terço restante é o último refúgio de milhões de espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção. A opção pela expansão da área cultivada seria o caminho mais fácil para alimentar 9 bilhões de bocas. Bastaria continuar devastando, derrubar o que resta de matas, dizimar a biodiversidade, transformar os rios em criadouros de peixes e tornar o planeta uma imensa fazenda. Mas ninguém sabe até que ponto essa redução nas áreas selvagens e na biodiversidade provocaria alterações nos ciclos das chuvas e das pragas, afetando a própria agricultura.

Diante do dilema, alguns sugerem uma solução radical: a dieta vegetariana para todos. É a proposta do biólogo Edward O. Wilson, de 81 anos, da Universidade Harvard. Para Wilson, um dos mais respeitados conservacionistas do mundo, a produção mundial de grãos seria suficiente para alimentar 10 bilhões de indianos, cuja dieta básica é vegetariana. Em comparação, a mesma quantidade de grãos só poderia alimentar 2,5 bilhões de americanos, que usam a maior parte dos grãos para criar gado. Wilson propõe a frugalidade. Segundo ele, conviver com a escassez é parte da condição humana desde a evolução de nossa espécie, há 200 mil anos. Diante da atual explosão demográfica, aos bilhões de emergentes do mundo jamais seria concedido o direito de usufruir o padrão de vida dos americanos. Mesmo os mais afluentes teriam de ceder. “A população dos países ricos deve mudar seus hábitos alimentares para uma dieta vegetariana, ou a área mundial de terras aráveis precisará crescer 50%”, diz Wilson.

O problema seria convencer gente como o cearense Joaquim, que conquistou o direito a uma mesa farta para a família. Como privar do acesso à carne os membros da nova classe média mundial? “Como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles não podem comer carne, se comer carne tem sido um objetivo humano por milhares de anos?”, diz o jornalista americano Paul Roberts, autor de O fim do alimento. Ou mesmo os habitantes de países ricos. “Nos Estados Unidos, achamos que comer carne é um direito eterno. Seu consumo é considerado um índice de prosperidade”, diz Roberts.

Uma opção mais realista é apostar na tecnologia. Isso já aconteceu antes. Entre os anos 1940 e 1970, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, a produção agrícola cresceu mais rápido que em qualquer outro momento desde a invenção da agricultura, há 10 mil anos. A aplicação maciça da tecnologia no campo foi a responsável pelo salto. A expansão da mecanização rural e da irrigação teve papel importante. O mesmo se pode dizer dos fertilizantes, herbicidas e inseticidas. Os maiores ganhos decorreram da seleção de novas variedades resistentes às pragas e à seca. As novas sementes também podiam ser semeadas em intervalos menores, gerando mais plantas por hectare. E cada planta produzia mais grãos que as variedades tradicionais.
 
1 hectare de terra rende 45 quilos de soja. Mas a mesma área só produz 2,5 quilos de carne

Os ganhos foram tão impressionantes que o então gerente da agência americana para o desenvolvimento internacional, William Gaud, cunhou o termo Revolução Verde para designar o período. Na época – em plena Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética –, Gaud acreditava que investir na agricultura do Terceiro Mundo, fixando o homem no campo graças à revolução “verde”, evitaria a eclosão de revoluções “vermelhas” – ou comunistas. Essa ideia rendeu frutos na Ásia. Mas não na África. O continente viveu ondas de fome agudas nas últimas décadas – de Biafra a Ruanda – e tem tudo para se beneficiar dos avanços tecnológicos atuais.

Em boa parte da África Subsaariana, nem se usam fertilizantes. Lá, colhe-se em média 1 tonelada de trigo por hectare. Introduzindo os fertilizantes, inseticidas e a mecanização, a safra subiria a 5 toneladas por hectare, como na Argentina e na Índia. Ao usar sementes transgênicas, fazer a correção química do solo e investir em semeadeiras e colheitadeiras guiadas por satélite, atinge-se o teto de 10 toneladas por hectare. É o que se colhe nos EUA e na China. O cenário do trigo se repete nos casos da soja, do milho, do arroz, do feijão e do sorgo, os cereais da cesta básica mundial. O abismo que separa a produtividade africana das safras indianas e americanas mostra o caminho para elevar a produção.

Floresta ou plantação?
A humanidade se apropriou de dois terços das terras férteis disponíveis. O terço restante abriga as últimas florestas.  O mapa mostra onde estão as áreas degradadas passíveis de reflorestamento – e a melhor forma para recuperá-las



Nas próximas décadas, a Revolução Verde deverá chegar às lavouras da África e das nações pobres da América Latina e da Ásia – justamente as regiões onde a ONU acredita que o crescimento demográfico se acentue daqui para a frente. Se os camponeses não conseguem comprar fertilizante e sementes de qualidade, eles podem ser subsidiados. Duas das maiores fundações filantrópicas do planeta, a Rockefeller e a de Bill Gates, se uniram em 2006 no projeto Aliança para a Revolução Verde na África (Agra). A meta é dar aos agricultores africanos acesso à terra, à água, às tecnologias sustentáveis, à educação e aos meios de escoar a safra. Em 2009, a Agra investiu US$ 400 milhões.

Na Índia e nos países de renda média, onde a Revolução Verde já rendeu frutos, os fazendeiros precisam agora dar o próximo salto: usar as sementes e as técnicas de última geração. Mas esse tipo de tecnologia dificilmente conseguirá reproduzir o milagre da Revolução Verde: um salto de 150% na produção agrícola, obtido nos últimos 40 anos. Para alimentar os 9 bilhões em 2043, seria necessário aumentá-la 60%. Mas as melhores tecnologias atuais elevariam a produção em até 50%, de acordo com Thomas Lumpkin, o gerente do Centro Internacional para a Melhoria do Milho e do Trigo da ONU.

Uso sustentável - Roberto Chioquetta tem 4.000 hectares com grãos no Mato Grosso. Ele defende o fim do desmatamento e o uso da área devastada para expandir a lavoura.

No caso dos gigantes da agricultura, qualquer ganho é ainda mais difícil. A China é o maior produtor mundial de grãos. Em 2008, colheu uma safra recorde de 530 milhões de toneladas. A China é também o melhor exemplo dos desafios a enfrentar. Montanhas e desertos cobrem dois terços de seu território. Sobra um terço para a agricultura. Todo hectare de solo disponível já foi ocupado. A única alternativa seria elevar a produtividade da área plantada. Isso também foi feito.

O mundo precisa de uma segunda Revolução Verde, capaz de solucionar três problemas. O primeiro é desenvolver sementes que germinem plantas ainda mais robustas. É um cenário possível, mas incerto. Há sinais de que as plantas manipuladas geneticamente estão atingindo seus limites biológicos. Uma boa comparação é o que acontece com os frangos geneticamente selecionados nas granjas. Eles engordam tanto e tão rápido que mal conseguem ficar em pé, sob o risco de fraturar as patas. Até que ponto uma espiga pode crescer antes que o pé de milho caia e morra?

O segundo problema é a falta d’água. O norte da China concentra 800 milhões da população total de 1,3 bilhão. Sofre com estiagens e tempestades de areia. Toda a água que poderia ser desviada para a irrigação já foi. Em consequência, o delta do Rio Amarelo, o sexto maior do mundo, seca desde 1971. Em 1997, ele parou de desaguar no Pacífico por 226 dias. O padrão se repete até hoje. Desde 1960, o nível de água nos lençóis freáticos caiu de centenas para dezenas de metros. E eles podem secar até 2020. Para a falta d’água, não há solução. As mudanças climáticas, o desmatamento, a erosão do solo e o consumo humano estão na raiz da intensificação das secas e da expansão dos desertos. Um ser humano precisa de 2 a 5 litros d’água por dia. Para produzir 1 quilo de grãos, usam-se de 500 a 2.000 litros. Para produzir 1 quilo de carne, consomem-se até 15.000 litros. Teremos de produzir grãos para mais 3 bilhões de humanos usando menos água que hoje. Em 2007, a China começou a substituir a produção de grãos, que usa irrigação, pela de frutas e verduras, que consome menos água. No mesmo ano, as exportações brasileiras de soja para a China explodiram. O que aconteceu foi uma terceirização. Os chineses decidiram conservar seus aquíferos e importar água brasileira, sob a forma de soja. A produção recorde chinesa de 2008 não se repetiu em 2009. A China, até então autossuficiente na produção de alimentos, se tornou uma importadora – de água na forma de comida.

Teremos de produzir comida para mais 3 bilhões de humanos usando menos água que hoje

O terceiro problema que a nova Revolução Verde deve solucionar é reinventar a produção de fertilizantes. Seu preço nunca foi tão alto. Para os países pobres, eles se tornaram um insumo proibitivo – embora essencial. A origem disso é o preço do gás natural, usado na produção de nitrogênio sintético, o principal ingrediente para os fertilizantes. Nada mostra que o preço do gás natural baixará. Os fertilizantes, portanto, continuarão caros. A opção é achar um substituto ao gás natural para produzir nitrogênio fertilizante.

Diante de tantos obstáculos, o Brasil é um caso privilegiado. Dos grandes produtores, somos o único que ainda tem água em abundância. Até 2020, poderemos ser autossuficientes na produção de fertilizantes, graças a um gasoduto que trará ao continente o gás natural da Bacia de Campos. Temos também terra disponível. O Brasil tem 846 milhões de hectares. A agricultura usa 61 milhões. Outros 196 milhões são pastagens, com 205 milhões de cabeças de gado, o segundo maior rebanho do mundo, atrás apenas da Índia. Temos centenas de milhões de hectares disponíveis para expandir a fronteira agrícola. Devemos usá-los? Podemos escolher desmatar todo o Centro-Oeste e a borda sul da Amazônia para semear soja, milho, arroz e feijão. Alimentaríamos o mundo. Mas o custo seria a destruição do que resta de Cerrado e de boa parte da Floresta Amazônica. A maior biodiversidade do mundo seria substituída pela monotonia da monocultura.

Podemos optar pela preservação, usando de forma sustentável as áreas degradadas. “A produção aqui no Mato Grosso, no Pará e em Rondônia pode crescer muito. Basta usar a área degradada”, diz o fazendeiro gaúcho Roberto Luiz Chioquetta, de 50 anos. Chioquetta planta 4.000 hectares de soja, milho e girassol em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. Ele usa as tecnologias mais avançadas, como correção do solo por sensoreamento remoto e piloto automático via GPS em suas semeadeiras. O resultado é uma safra de até 58 sacas de soja por hectare, uma das maiores produtividades do mundo. Para produzir ainda mais, Chioquetta dá a receita: “Aqui na região, os pecuaristas mantêm apenas um boi por hectare. É muito pouco. Poderiam concentrar cinco bois por hectare. Liberariam quatro para a lavoura”. Para Chioquetta, é factível erradicar a fome e alimentar 9 bilhões de humanos até 2050. E o desafio pode ser alcançado sem devastar o meio ambiente.

                                                                   Fonte: (Revista Época nr 6811 06 06 2011 – pgs 94>)