sábado, 1 de outubro de 2011

Típico do Brasil

O Governo Federal tem um programa de prevenção para emergências e desastres, recursos que deveriam ser liberados para os estados investirem em obras como contenção de encostas, canalização de rios e treinamento da Defesa Civil. Mas o Brasil, ainda gasta mais com emergência do que com prevenção.
Uma estratégia que não dá para entender. O site da ONG Contas Abertas fez um levantamento a partir de dados oficiais do próprio governo. Segundo o site, o Ministério da Integração Nacional deixou de investir, entre 2004 e 2010, quase R$ 2 bilhões na prevenção de danos e prejuízos provocados por desastres naturais em todo o país.
Esse valor é a diferença entre o orçamento autorizado para o programa de prevenção e preparação para desastres e o que foi, de fato, desembolsado. Assim, segundo o Contas Abertas, de cada R$ 4 previstos no orçamento, menos de R$ 1 foi aplicado em prevenção. Já os investimentos realizados no cenário pós-calamidade, são quase oito vezes maiores.

Fonte: Bom Dia Brasil - 26/9/2011


sábado, 24 de setembro de 2011

Os Piores Desastres Ambientais da História.


Os 10 Maiores Desastres Ambientais da História

•1976 - Seveso – Itália. 

     A cidade de Seveso, na Itália, tornou-se mundialmente famosa quando em 10 de julho de 1976. Tanques de armazenagem na indústria química ICMESA romperam, liberando vários quilogramas da dioxina TCDD (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina) na atmosfera e o produto espalhou-se por grande área na planície Lombarda, entre Milão e o lago de Como. Devido à contaminação, 3000 animais morreram e outros 70000 animais tiveram que ser sacrificados para evitar a entrada da dioxina na cadeia alimentar. Acredita-se que não tenha havido mortes de seres humanos diretamente vinculadas ao acidente, mas 193 pessoas nas áreas afetadas sofreram de cloracne e outros sintomas.
    O acidente ocorreu durante a produção de 2,4,5-triclorofenol, um herbicida, fungicida, e produtos químicos intermediários, A ocorrência de reação química foi particularmente interessante já que ocorreu num sábado às 12h30, quando a instalação estava realmente fechada para o fim de semana e nenhum processo estava em andamento. De alguma maneira a mistura de produtos químicos que tinham sido deixados na caldeira espontaneamente reagiram gerando suficiente calor e energia para posteriormente causar uma reação plena. Não se sabe ao certo como isto chegou a ocorrer, mas tem havido questionamentos sobre por que a instalação foi paralisada com a produção no meio de um ciclo.

Consequências:
-3000 animais mortos e 70000 sacrificados
-193 pessoas nas áreas afetadas sofreram de cloracne e outros sintomas.


1979 - Three Mile Island – Pensilvânia – Estados Unidos.

     O acidente ocorrido em 28 de março de 1979, na usina nuclear de Three Mile Island, estado da Pensilvânia nos Estados Unidos, foi causado por falha do equipamento devido o mau estado do sistema técnico e erro operacional. Houve corte de custos que afetaram economicamente a manutenção e uso de materiais inferiores. Mas, principalmente apontaram-se erros humanos, com decisões e ações erradas tomadas por pessoas despreparadas.
     O acidente desencadeou-se pelos problemas mecânico e elétrico que ocasionaram a parada de uma bomba de água que alimentava o gerador de vapor, que acionou certas bombas de emergência que tinham sido deixadas fechadas. O núcleo do reator começou a se aquecer e parou e a pressão aumentou. Uma válvula abriu-se para reduzir a pressão que voltou ao normal. Mas a válvula permaneceu aberta, ao contrário do que o indicador do painel de controle assinalava. Então, a pressão continuou a cair e seguiu-se uma perda de líquido refrigerante ou água radioativa: 1,5 milhão de litros de água foram lançados no rio Susquehanna. Gases radioativos escaparam e atingiram a atmosfera. Outros elementos radioativos atravessaram as paredes.
   Um dia depois foi medido a radioatividade em volta da usina que alcançava até 16 quilômetros com intensidade de até 8 vezes maior que a letal. Apesar disso,o governador do estado da Pensilvânia iniciou a retirada só dois dias depois do acidente. O governador Dick Thornburgh aconselhou o chefe da NRC, Joseph Hendrie, a iniciar a evacuação "pelas mulheres grávidas e crianças em idade pré-escolar em um raio de 5 milhas ao redor das intalações". Em poucos dias, 140.000 pessoas haviam deixado a área voluntariamente.

Consequências:
-Um dia depois foi medido a radioatividade em volta da usina que alcançava até 16 quilômetros com intensidade de até 8 vezes maior que a letal.
-Foi evacuado uma área de até 5 milhas todas as mulheres grávidas e crianças em idade pré-escolar.


1984 – Vila Socó – Cubatão – Brasil.

    Por volta das 22h30 do dia 24/02/1984 moradores da Vila Socó (atual Vila São José), Cubatão/SP, perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobrás que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa.
     A tubulação passava em região alagadiça, em frente à vila constituída por palafitas. Na noite do dia 24, um operador alinhou inadequadamente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação (falha operacional) que se encontrava fechada, gerando sobrepressão e ruptura da mesma, espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Muitos moradores visando conseguir algum dinheiro com a venda de combustível, coletaram e armazenaram parte do produto vazado em suas residências. Com a movimentação das marés o produto inflamável espalhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as palafitas.
    O número oficial de mortos é de 93, porém algumas fontes citam um número extra oficial superior a 500 vítimas fatais (baseado no número de alunos que deixou de comparecer à escola e a morte de famílias inteiras sem que ninguém reclamasse os corpos), dezenas de 
feridos e a destruição parcial da vila.

Consequências:
-93 pessoas mortas (oficial)
-Mais de 500 mortes (número extra oficial)


•1984 – Bhopal – Índia. 

     A tragédia de Bhopal foi um desastre industrial que ocorreu na madrugada de 3 de dezembro de 1984, quando 40 toneladas de gases tóxicos vazaram na fábrica de pesticidas da empresa norte-americana Union Carbide. É o pior desastre industrial ocorrido até hoje. Mais de 500 mil pessoas, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases e pelo menos 27 mil morreram por conta disso. A Union Carbide, empresa de pesticidas de origem americana, se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos. Cerca de 150 mil pessoas ainda sofrem com os efeitos do acidente e aproximadamente 50 mil pessoas estão incapacitadas para o trabalho, devido a problemas de saúde. As crianças que nascem na região filhas de pessoas afetadas pelos gases também apresentam problemas de saúde. Mesmo hoje os sobreviventes do desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram obter da Union Carbide e de seu novo dono, a Dow Química(Dow Chemicals), informações sobre a composição dos gases que vazaram e seus efeitos na saúde. Apesar deste quadro absurdo, a fábrica da Union Carbide em Bhopal permanece abandonada desde a explosão tóxica enquanto que resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área, contaminando solo e águas subterrâneas, dentro e no entorno da antiga fábrica.
      Segundo José Possebon (coordenador de Higiene do trabalho da Fundacentro), a tragédia poderia ter sido evitada. Os sistemas de segurança da fábrica eram insuficientes, devido ao corte de despesas com segurança imposto pela matriz da empresa, nos EUA, que por sua vez acontece por causa do retorno esperado da indústria não ser suficiente

Consequências:
-Mais de 500 mil pessoas, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases; e
-Pelo menos 27 mil morreram por conta disso;
-Cerca de 150 mil pessoas ainda sofrem com os efeitos do acidente;
-Aproximadamente 50 mil pessoas estão incapacitadas para o trabalho.


•1986 – Chernobyl – Rússia. 

    O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima. Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.

Consequências:
- Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer da tireóide;   (o Greeenpeace contesta esses números)
- Um estudo feito em 2005 (quase 20 antos depois) aponta que morreram de câncer entre 30.000 e 60.000     pessoas vítimas do vazamento de Chernobyl.


•1989 – Exxon Valdez – Álaska. 

     Navio superpetroleiro, o Valdez, a serviço da Exxon, bateu na costa do Alasca, deixando escapar 260 mil barris de petróleo, imergindo em óleo praticamente toda a fauna da região.

Consequências: 
Morreram
-250.000 pássaros marinhos;
-2.800 lontras marinhas;
-250 águias;
-22 orcas; e
-Bilhões de ovos de salmão.
-A limpeza custou $ 2,5 bilhões.



•2000 – Rio de Janeiro, Brasil. 

     A maior estatal brasileira, a Petrobras, foi responsável, no dia 18 janeiro, pelo derramamento de mais de 1 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara. Em julho do mesmo ano, mais um acidente. Desta vez, cerca de 4 milhões de litros de óleo cru vazam de refinaria em Araucária (PR).

Consequências:
-A mancha se espalhou por mais de 50 quilômetros quadrados;
-Atingiu o manguezal da área de proteção ambiental (APA) de Guapimirim;
-Inúmeras espécies da fauna e flora;
-Graves prejuízos de ordem social e econômica a população local.


•2002 – Espanha - Navio Prestige, das Bahamas.

    Em 13 de novembro de 2002 começou a maior catástrofe ambiental que até o momento havia sacudido a costa galega: o afundamento e posterior derramamento de milhares de toneladas de fuel-oil por parte do petroleiro "Prestige". 
     O petroleiro grego Prestige naufragou na costa da Espanha, despejando 11 milhões de litros de óleo no litoral da Galícia. A sujeira afetou 700 praias e matou mais de 20 mil aves. Em comparação com o Exxon Valdez, a quantidade de óleo derramado foi menor, e a biodegradação do produto foi facilitada pelas temperaturas mais altas. Nos meses seguintes ao desastre, o submarino-robô Nautile soldou o navio afundado a 3600 metros de profundidade.

Consequências:
- Cerca de 15 mil pássaros foram afetados.
A limpeza custou $ 12 bilhões.



•2010 – Golfo do México.

     Em 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma de petróleo da BP no golfo do México provocou a morte de 11 pessoas após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, além de jogar no mar mais de 4 milhões de barris de óleo, no pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

Consequências:
- 750 milhões de litros de óleo e 6 milhões de litros de dispersantes químicos.
- 11 funcionários mortos.
- Mais de 400 tartarugas que correm risco de extinção e que foram contaminadas, entre outros animais como golfinhos.
- O derramamento de petróleo da BP no Golfo do México, que pode se tornar o maior desastre ambiental do país e o mais caro serviço de limpeza desde o Exxon Valdez, em 1989, deve custar às seguradoras até US$ 1,5 bilhão.



•2011 – Usina Nuclear Fukushima 

Grande Vazamento em usina nuclear na cidade de Fukushima no Japão.
As piores consequências ainda estão por vir!


Fonte: www.prevencaoonline.com.br
www.google.com.br

domingo, 4 de setembro de 2011

Consciência...Desafio para todos!


No mesmo ano em que a Política Nacional de Resíduos Sólidas (PNRS) foi sancionada, 2010, foram recolhidas cerca de 8 milhões de pilhas e baterias no Brasil e recicladas cerca de 8 mil.  A informação foi prestada pela gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Zilda Veloso, nesta quinta-feira (25/8) na Comissão de Assuntos Sociais, do Senado.



A logística reversa - ou seja, a obrigatoriedade de recolhimento de embalagens ou dos próprios produtos fabricados depois de usados pelo consumidor - está prevista não apenas na PNRS, mas também no Decreto 7404/10 e na Resolução 401/08 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, disse a gerente.
Pilhas e baterias estão entre os produtos citados no artigo 33 da PNRS. Também estão explícitos pela legislação os pneus, as lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, resíduos e embalagens de agrotóxicos e de óleos lubrificantes, embalagens em geral e os produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

"Já temos no País 1.800 pontos de recolhimento de pilhas e baterias. Falta ainda que os consumidores se habituem a entregá-las", comentou Zilda Veloso. Ela afirmou que esses produtos contêm metais pesados prejudiciais ao meio ambiente. "Principalmente as pilhas comuns e especialmente aquelas compradas no comércio irregular", advertiu.

A gerente de Resíduos Perigosos ressaltou que o Programa de Consumo Sustentável, do MMA, assim como a PNRS, estão promovendo mudanças no padrão de consumo dos brasileiros, e que o ministério está em campanha educativa para que a população passe a selecionar o lixo doméstico para encaminhá-lo a reciclagem. 

sábado, 27 de agosto de 2011

Mais uma Consequência da Sabedoria Americana!

Cinquenta anos depois do uso de armas químicas na Guerra do Vietnã (1959-1975), Conselho Mundial da Paz (CMP) lança campanha que pede condenação dos Estados Unidos e empresas fabricantes do Agente Laranja, que destruiu florestas e vitimou milhões de pessoas. Entidades locais estimam que pelo menos três milhões de vietnamitas vivam com seqüelas. 

Representantes de entidades de 24 países estiveram reunidos entre 7 e 10 de agosto durante a 2ª Conferência Internacional das Vítimas do Agente Laranja, em Hanoi, capital vietnamita. Ao final, uma carta compromisso foi assinada por todos presentes, onde ficou definida a criação de uma campanha internacional para pedir assinaturas para condenação do governo estadunidense pelo uso indiscriminado de um herbicida altamente tóxico: o Agente Laranja.
Fonte: Google imagens.

O agrotóxico, que ganhou o nome por causa da embalagem que tinha uma faixa laranja envolta, contém dioxina, substância cancerígena, uma das mais perigosas. Segundo documentos publicados pela Associação de Vítimas do Vietnã do Agente Laranja (Vava, na sigla em vietnamita), a exposição da população ao produto tem causado diversas doenças graves como câncer de pele, pulmão, além de incapacidade mental, deformidades no organismo e abortos. Na época, 26 mil aldeias foram pulverizadas com 83 milhões de litros de produtos químicos lançados por aviões pertencentes ao Exército dos EUA. Atualmente, pelo menos 3 milhões de pessoas possuem alguma doença ou deformidade.

“Já chega a 4 milhões o número de vítimas. Todos vivendo graças a ajuda de entidades regionais e ao governo do Vietnã. Pouquíssimas recebem ajuda do governo norte-americano, e o valor é muito abaixo do necessário, segundo médicos que tratam os doentes”, afirma a presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), a brasileira Socorro Gomes, que está à frente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), e participou da conferência.


Durante o evento, também ficou definido que será criado um comitê internacional formado por entidades de diversos países para cuidar da campanha. “Queremos acionar a ONU (Organização das Nações Unidas) para que considere o fato como crime contra a humanidade. Além disso, também pode pressionar o Estados Unidos sobre sua responsabilidade”, ressalta Socorro Gomes.

Do ponto de vista ambiental, pelo menos 25% das florestas do país foram atingidas, devastando mangues, colheitas, chegando a contaminar o solo e lençóis freáticos (d’água) – uma área de cerca de 3 milhões de hectares. Em 2009, uma empresa canadense detectou níveis da substância 300 a 400 vezes acima do limite reconhecido internacionalmente como tolerável.

Quem são os responsáveis?

Os Estados Unidos (EUA) tomaram a decisão de lançar o herbicida sobre as florestas, plantações e colheitas. A Casa Branca nega responsabilidade no caso e atribui possíveis malefícios aos fabricantes do produto. Na ocasião, os EUA usaram a Lei de Produção de Defesa para emitir contratos para obtenção do Agente Laranja e outros herbicidas para uso dos EUA e das tropas aliadas no Vietnã.

Mas, a campanha também pede a responsabilização de sete fabricantes do produto na ocasião: Diamond Shamrock Corporation, Dow Chemical Company, Hercules, Inc., T-H Agricultural & Nutrition Company, Thompson Chemicals Corporation, Uniroyal Inc. e Monsanto Company.

Diversas ações foram movidas por conta da reação do Agente Laranja em seres humanos, mas somente uma teve decisão favorável, em 1984, que beneficiou somente os veteranos americanos que estiveram na guerra. Nela, houve um acordo que estabeleceu indenização de US$ 180 milhões, no total, sem responsabilizar o governo estadunidense ou qualquer uma das empresas.

As empresas, por sua vez, se apoiam na decisão do Supremo Tribunal dos EUA, sancionada em março de 2009, de que as mesmas não eram responsáveis pelas implicações do uso militar do Agente Laranja, uma vez que eram prestadores de serviço do governo e somente seguiam instruções. Naquele ano, o Tribunal de Apelações julgou improcedentes os pedidos de indenizações, sob a alegação de que o Agente Laranja não foi usado como arma de guerra contra a população, mas para proteger as tropas. A Corte Suprema indeferiu recurso das vítimas sem fazer qualquer comentário.

Em sua página na Internet, a Monsanto lembra que o agrotóxico foi um dos 15 utilizados com finalidade militar. “O governo americano especificou como deveria ser a composição química do Agente Laranja e quando e onde o material deveria ser usado no campo, incluindo as taxas de aplicação”, justifica a empresa.

Dioxina

A dioxina é um subproduto resultante de uma combinação de duas substâncias: 2,4-D e 2,4,5-T. O professor Guilherme Marson, do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), lembra que ela é obtida no processo de produção de herbicida. Mas que nenhuma empresa produz a dioxina de maneira desejada. “O Agente Laranja é um desfolhante usado na década de 1960, mas já está ultrapassado. Atualmente, há novos herbicidas criados com uma preocupação ambiental”, diz Marson. O especialista ressalta, no entanto, que o uso político e militar de determinados herbicidas é uma escolha de quem vai usá-lo: “Nós (químicos) criamos ferramentas para auxiliar. Infelizmente, há agentes que se apropriam desse conhecimento como arma”, conclui Marson.

Neste ano, o governo dos EUA anunciou um plano para extrair, a partir de janeiro de 2012, a dioxina onde funcionava a base estadunidense em Da Nang, região central do Vietnã, onde o veneno era armazenado. Depois, pretende estender a ação para outras áreas de antigas bases americanas, onde a substância era misturada, estocada e carregada nos aviões – Bien Hoa e Phu Cat, sul do país.

“É possível extrair a dioxina do solo, usando técnicas de injetar água oxigenada, entre outras. Mas o custo ainda é muito elevado. Dificilmente algum país ou empresa fará algo em larga escala”, explica o professor Cassius Vinicius Stevani, também do Instituto de Química da USP.

O projeto deve custar mais de R$ 50 milhões e vai remover a dioxina em somente 29 hectares de terra.

Amazônia

Apesar de ser uma substância superada, no final de junho deste ano o Ibama (Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apreendeu quatro toneladas de produtos químicos, classificados como herbicidas altamente tóxicos, na rodovia AM – 174, km 160, que liga Apuí à Novo Aripuanã, no estado do Amazonas. Entre eles a substância 2,4 – D, um dos componentes do Agente Laranja. Segundo o órgão ambiental, o material estava armazenado de maneira inadequada, no meio da mata, e seria utilizado como desfolhante para destruição cerca de três mil hectares de floresta. 

Guerra

Após os primeiros anos da Guerra do Vietnã, os Estados Unidos estavam desnorteados no combate com os vietnamitas em função da utilização por seus oponentes da tática de guerrilhas em selvas, através das quais pequenos contingentes de soldados vietcongues, com grande conhecimento das florestas, conseguiam iludir e vencer batalhões inteiros, gerando grandes perdas, apesar de estarem numericamente inferiorizados e materialmente muito abaixo dos recrutas americanos. O uso do agente laranja tinha como principal objetivo eliminar as áreas de florestas, onde se escondiam os vietcongues, além de destruir plantações e colheitas para enfraquecer o inimigo.

“Tendo em vista estas derrotas que se acumulavam, os comandantes americanos, com autorização de seus líderes governamentais da época, resolveram literalmente tirar 'o rato da toca' com o uso do Agente Laranja, incorrendo num indiscutível crime de guerra”, contextualiza o historiador João Luís de Almeida Machado, especialista em Educação, Arte e História da Cultura.

Almeida Machado lembra das consequências desastrosas do uso do herbicida, desconsiderando tratados universais, que preconizam o lançamento de produtos químicos na natureza ou sobre populações como ato indigno e reprovável, como a carta de Estocolmo, em 1950, que condenava o uso de armas nucleares. “Ainda não há nenhum documento que afirme que é crime o uso de armas químicas. O uso do Agente Laranja no Vietnã foi um verdadeiro crime contra a humanidade. Lutamos para que seja tratado como tal”, afirma Socorro Gomes. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Apenas 106 dias!!


Quem vive na região metropolitana de São Paulo respirou durante 259 dias do ano passado um ar impróprio para a saúde humana. O grande responsável por esse quadro negativo, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem, é o ozônio, um gás tóxico que pode se formar a partir de substâncias emitidas pela queima de combustíveis fósseis nos carros, caminhões, ônibus etambém por atividades industriais.

Em apenas 106 dias, segundo a Cetesb, a agência ambiental paulista, o ar paulistano foi classificado como bom. O governo considera a situação problemática quando a classificação do ar fica "inadequada" ou "má".

Impacto

A categoria "regular" fica fora da soma. A Cetesb diz que não há impacto significativo na saúde das pessoas. Mas técnicos dizem que esse nível afeta a população.
"O relatório da OMS - Organização Mundial da Saúde, com os novos índices de qualidade do ar diz que, mesmo abaixo dos padrões, alguns efeitos na saúde são observados", diz Nelson Gouveia, médico especialista em poluição da USP (Universidade de São Paulo).


Asma

Geralmente, problemas respiratórios são intensificados nessa situação. Problemas como crises de asma e bronquite acabam se agravando. Esses padrões internacionais, avalia Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade, são ainda mais rigorosos do que os usados pela Cetesb.
No caso específico do poluente ozônio, a OMS é 40% mais rigorosa.